Vocês também têm a impressão de que a humanidade está regredindo cognitivamente ou eu estou equivocada em minhas impressões? Parte considerável dos comentários sobre uma gama variada de temas não diz coisa com coisa.
Além disso, muita gente é atacada do nada. Veja o caso da Alane (BBB 24). O seu choro fez muita gente considerá-la falsa. Então chorar está deixando de ser uma ação natural dos seres humanos? Por que o choro é desacreditado? Por que a dor está se tornando tão desacreditada hoje em dia?
A imbecilidade e a quantidade de pessoas imbecis está me assustando. Claro que o voto em Bolsonaro e em Milei já deixam isso evidente. Vivemos uma época de regressão cognitiva, pois as mentes são induzidas à preguiça de pensar pela dependência excessiva do uso das tecnologias e pelo hábito de transformar tudo em objeto de consumo (inclusive, as pessoas já não se importam em serem objetos). Em contrapartida, todos sentem necessidade de serem protagonistas de algo. Do contrário, não se sentem vivos. Parece que ser vivo é ter alguma causa a defender, pouco importando saber profundamente a seu respeito. O problema maior é que esse protagonismo vem acompanhado da exclusão violenta do outro.
Os extremismos encontram um terreno muito fértil para angariarem apoiadores. A democracia sempre correrá riscos em uma sociedade que basicamente só se alimenta destas duas coisas: consumir e querer ser heroi. Há uma necessidade gritante de heroísmo, de empoderamento, de ser grandioso(a), de ser visto, de ter seguidores (discípulos). Não tendemos para sociedades mais autoritárias? O comportamento geral não corre para esse rio?
O momento atual é de tanto heroísmo, que a dor já passou a ser desacreditada e até mesmo perseguida. Quem sofre merece ser excluído sem dó. Porque é fraco ou é inútil. "Você é uma inútil aqui!", ouvimos essa frase sem pararmos para pensar o tanto de gravidade que ela traz em si mesma. O quanto de violência ela pode tantas vezes carregar. Os nazistas, por exemplo, matavam os "inúteis". Havia uma política de eliminação dos inúteis.
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