terça-feira, 16 de janeiro de 2024

O que é ter consideração por alguém?

Querid@s tod@s, como vocês estão? Tudo bem? Como foi o dia de vocês? Foi difícil? Árduo? Mas, teve alguma coisa que valeu a sua paciência? Me conte como foi o seu dia. Você parece cansado, ansioso. Está tudo bem? Quer conversar? Eu tenho algum tempinho, caso necessite conversar.

Assim começo esse texto que, prometo-lhes!, não será um textão chato. Falarei de coisas doces. Eu gosto de coisas doces.  Por exemplo, aprecio muito a gentileza e a consideração. A consideração é um tipo de gentileza.  E apesar de ser um sentimento sentir consideração por alguém, esse sentimento pode facilmente ser representado, manifestado em atitudes. A propósito, existe algum sentimento que não consegue ser expresso concretamente nunca? Bom, reflitam aí.

Hoje eu peguei um táxi. A temperatura do carro, geladinha. Como se não bastasse isso, o carro estava impecavelmente limpo e perfumado e uma música muito agradável tocava numa altura também agradável. O cenário era tão bom, que eu não tive a menor dúvida: esse táxi foi preparado para me receber! Eu, a passageira. Como não notar a gentileza do taxista com as pessoas que se sentarão naquelas poltronas? Um ranzinza diria: "mas, é a obrigação dele!". Ok. Concordo. Mas, é a obrigação de todos, mesmo que nem todos façam questão de cumpri-la! Então eu não contenho a minha alegria e faço questão de enfatizar que eu notei a importância dada a mim. Eu não apenas agradeço. Agradecer é ser educada. Não diz tudo que sinto. Eu expresso o que sinto. Eu digo, após pagar a conta do táxi: "Cara, que táxi bom o seu! Muito difícil se sentir tão bem tratada e considerada assim. Parabéns!". O taxista sorri, seus olhos brilham. Quantos passageiros não se sentirão bem ali? Todos se sentirão! Todos! Mas, quantos farão questão de lhe mostrar que ficaram plenamente satisfeitos com a viagem?  

Por que é tão difícil sermos justos? É mesmo tão difícil assim? E quando falo em "justos", refiro-me ao reconhecimento. Aquela pessoa se dedicou! Ela se esforçou! Ela merece a minha gentileza também. Sabe por que ela merece? Porque ela me fez bem e eu devo saber que o mundo não gira em torno de mim. Por que devo poupá-la da minha alegria? Ela merece saber. Ela, sim!

Quantas não são as mães e os pais que, mesmo exaustos, esforçam -se para deixar tudo perfeito para os filhos? Aquela comida saborosa que você come diariamente é feita com amor. É feita pra você gostar, ter prazer! Você gostou? Então diga! Digaaaa! Pode estar certo de que a pessoa se sentirá valorizada, ela se sentirá importante para você. Perceberá que você nota o carinho dela e o mais importante de tudo: que esse carinho te faz bem! Ah, mas, eu tenho que dizer todo dia? Tem! Se todo dia você tiver prazer, todo dia deve manifestar que tem prazer!

Consideração está, como a própria palavra diz, em considerar alguém, isto é, em considerá-la importante. A falta de consideração está, portanto, em manifestar que ela não tem importância alguma. E não pensem que é difícil perceber quem não tem consideração por nós. Quem não tem é aquela pessoa que NUNCA faz questão de ser gentil. Eu digo NUNCA porque um dia ou outro, as pessoas podem não mostrar mesmo gentileza. Mas, há pessoas que NUNCA mostram. Basta observar como ela trata os outros e como ela trata você, 

assim como observar se ela se mostra feliz quando você muito se esforça para deixá-la feliz! E eu não tô falando de pagar na mesma moeda!  Eu tô falando de, na hora em que você estiver feliz, tipo lançando um livro, se você pudesse dá-lo a alguém, para quem você daria? Pois é. As pessoas de quem você se lembrou são exatamente as pessoas que você considera!

Pra finalizar, enfatizo: tratar bem alguém é muito mais que não tratar muito mal. Tratar bem é buscar a satisfação do outro. 

Eu trato as pessoas bem. E eu trato muito bem as pessoas de quem eu realmente gosto. Essas, então, conseguem de mim tudo o que estiver ao meu alcance. Deste modo, se um dia eu me esforçar muito, dedicar muito do meu tempo, para deixar você feliz, a única coisa que me deixaria feliz é saber que você ficou mesmo feliz! Esse é o único prêmio que quem se dedica deseja. Nada mais que deixar você satisfeito! Então, se você, por acaso, gostou, mostre! Se ficou feliz, compartilhe comigo a sua alegria! A sua alegria me interessa. Do contrário, eu não teria me dedicado tanto!

sábado, 6 de janeiro de 2024

A autodescoberta

O escritor alemão Hermann Hesse disse, certa vez, que o caminho mais duro para o ser humano é aquele que o conduz a si mesmo. Talvez essa dificuldade se deva, em parte, ao fato de todos sermos seres inacabados. A gente não nasce com a personalidade pronta. Por isso, nunca somos. Nós sempre estamos. Mudamos a todo momento.

Existem sim características que nos são próprias, mas algumas adquirimos ao longo da vida e outras vamos largando no meio do caminho, quando consideramos que pesam essa grande mala que somos de nossa própria viagem. 

Cada um carrega apenas a sua mala, embora algumas vezes peguemos emprestadas coisas das malas daqueles que nos acompanham, que convivem conosco. Se não eliminarmos constantemente coisas que não nos servem, a mala vai ficando cada vez mais pesada. Você tem então duas necessidades básicas para a viagem não ser muito cansativa para si: saber aquilo que fica e aquilo que deve excluir da mala e saber para onde você está indo. 

Eu chamo o destino da viagem de consciência. Estamos indo cada vez mais para nós mesmos, para a nossa identidade. Quem somos nesse exato momento? Vou sentir mesmo prazer em conhecer a pessoa que sou hoje? A mala pesa? Você jogou fora justamente algo de que precisava para a viagem? E agora como você vai fazer para achar o que você perdeu? Em que ponto da estrada você jogou isso fora? Bom, terá de se virar sem isso. Talvez não encontre mais. Talvez, pelas circunstâncias, você tenha de aprender a se reinventar. 

Oscar Wilde dizia que o homem é uma criação de si mesmo. Ele se referia tanto às máscaras quanto ao fato de não sermos acabados.

No que diz respeito às máscaras, podemos observar que muitas vezes são confundidas com os próprios rostos. Há quem se apegue tanto à beleza das próprias máscaras, que já não consegue mais se interessar em conhecer o próprio rosto. Isso significa que não se conhecem, que acreditam numa imagem que criam para serem vistas. Inclusive - e talvez principalmente - por elas próprias. E essa máscara é mágica. Quanto mais a desejarmos, mais ela gruda à própria pele, desfigurando o nosso verdadeiro rosto. Não foi exatamente isso o que aconteceu com o retrato de Dorian Gray (leiam este livro do Wilde!)?

Não acreditemos nas máscaras. Quantas vezes nos julgamos exemplares, bondosos e respeitosos, mas tomamos atitudes, na verdade, pouco respeitosas a alguém? Muitas vezes o imperador não percebe que está nu, mesmo com toda a plateia já o vendo nuzinho da Silva (leiam o conto "A roupa nova do imperador", do Andersen). Ele admira uma roupa que ele acredita piamente que existe, por mais que nem ele mesmo seja capaz de vê-la. Mas, ele continua acreditando.

Não somos aquilo que pensamos ou queremos ser. Somos aquilo que fazemos. Lênin observou isto bem: a prática é o critério da verdade. Percebem como ele soluciona o problema? Se é o que somos, não depende do olhar de quem nos olha e, sim, das consequências dos nossos atos. Mas, calma. O que ele diz não é fatalista. Pelo contrário, é carregado de esperança. Uma vez que somos o que fazemos, sempre podemos mudar. Não nos bastará, porém, querer. Importa essencialmente aquilo que fazemos, o reconhecimento do caminho a ser percorrido na viagem. 

E a mala? Que carreguemos apenas o essencial. Quanto mais cheia, mais pesada fica. Temos de jogar muita coisa dos outros fora e muitas coisas nossas que já não nos servem mais. Em particular, aquelas nossas máscaras mais perfeitas.

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* Em tempo: leiam os clássicos!