Em primeiro lugar, desejo ressaltar que escrevo este texto com certo mau humor. Não gosto de falar de obviedades nem do que está implícito. No entanto, às vezes é necessário. Não o mau humor, mas falar das obviedades.
Recentemente, postei neste blog um texto breve no qual disponibilizei um link sobre "as virtudes e os critérios universais para a construção do pensamento". O link foi tirado do blog do economista Thomas Conti (para quem não teve a oportunidade de ver o link, deixo-o aqui novamente: http://thomasvconti.com.br/201 7/virtudes-e-os-criterios-inte lectuais-universais/ ).
Hoje gostaria de falar um pouco sobre a análise de um discurso. Existem diversos modelos de discurso e todos eles são influenciados pela natureza do público ao qual se dirige. Poderíamos analisar alguns. Qualquer pessoa pode se ocupar fazendo isso. Vocês já pararam para refletir sobre o que escutam ou leem em jornais, blogs, livros ou em postagens nas redes sociais? Como costumam reagir a elas? Quais perguntas se fazem? Vocês costumam se fazer alguma pergunta? Conseguem evidenciar incongruências em um discurso?
Hoje vamos nos concentrar em um erro que tem se mostrado bastante comum em alguns discursos e que, portanto, poderíamos dizer que se enquadra em uma categoria vulgar. Trata-se de se considerar um caso particular como uma generalização. Suponha que se tenha um conjunto não vazio A e que x seja um elemento desse conjunto. Suponha também que x possua a propriedade P. A seguir aponto algumas alternativas a você e gostaria que você fosse capaz de perceber qual delas é a verdadeira (Sim! É isso mesmo que você está pensando: entrei no jogo das três mentiras e uma verdade! Às vezes a moda é útil...):
(a) Se x possui a propriedade P, então todo elemento de A também a possui;
(b) Apenas x possui a propriedade P;
(c) Pelo menos x possui a propriedade P;
(d) Se um elemento possui a propriedade P, então esse elemento pertence a A.
E aí? Conseguiu perceber que a resposta certa é a letra (c)? Não? Jura que você julgou que o item (a) estava correto? Hummm.... tô vendo que você é daquele tipo que cai na onda de discursos como os dos exemplos abaixo:
Exemplo 1:
Uma pessoa B é muçulmana. Muitos terroristas são muçulmanos.
Conclusão: B é um terrorista!Não deixe B entrar no país.
Exemplo 2:
Fulano é padre. Muitos padres já cometeram crimes de pedofilia.
Conclusão: Fulano é um pedófilo! Não vá se confessar com ele, hein?!
Exemplo 3:
C é do sexo masculino. Existem homens que estupram mulheres.
Conclusão: Se C for acusado de estupro, é muito provável que a acusação contra ele seja verdadeira.
Quantas e quantas vezes não lemos discursos com essa característica em blogs e em redes sociais? Usar casos particulares para o estabelecimento de uma regra geral? É sério isso? Não caiam nessa conversa mole! Isso não é um argumento! Há falhas graves de raciocínio nesses tipos de discurso. Das duas, uma: ou quem discursa é realmente um idiota ou ele apenas crê que você é que seja um.
Desafio:
Verifique se as seguintes frases têm o mesmo sentido:
A cada dia, dez pessoas são agredidas na rua D.
Dez pessoas são agredidas todos os dias na rua D.